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Após visitar o Rio de Janeiro, o navio-hospital “Ark Silk Road” da Marinha chinesa fará escala no Uruguai.

Dois profissionais de saúde apertam as mãos em frente a um navio hospital com cruz vermelha.

Como parte do seu destacamento no âmbito da missão humanitária Harmony-2025, o navio-hospital “Ark Silk Road” da Marinha do Exército Popular de Libertação da China concluiu a visita à cidade do Rio de Janeiro (Brasil) e tem prevista uma escala técnica no porto de Montevideu (Uruguai) entre 20 e 24 de janeiro. A travessia integra a primeira digressão sul-americana desta unidade, orientada para reforçar a cooperação médica e a vertente diplomática entre a China e os países da região.

Cooperação sanitária no Brasil com o navio-hospital “Ark Silk Road”

Durante a permanência no Brasil, o “Ark Silk Road” cumpriu um programa alargado de cooperação na área da saúde em articulação com a Marinha do Brasil, disponibilizando cuidados médicos gratuitos à população local e participando em iniciativas conjuntas com o Hospital Naval Marcílio Dias e o Centro Médico Operacional da força. Em paralelo, realizaram-se intercâmbios académicos e uma demonstração conjunta de resgate em combate, com especialistas dos dois países, reforçando a componente prática e operacional da missão.

Escala técnica em Montevideu aprovada pelo parlamento uruguaio

A autorização para a entrada do navio-hospital no Uruguai foi concedida pelo Senado e pela Câmara de Representantes, com o objectivo de permitir uma escala técnica durante a travessia do Atlântico Sul. A chegada incluirá os 378 tripulantes - entre médicos, enfermeiros e técnicos do Comando do Teatro Sul da Marinha chinesa - que constituem a guarnição permanente do navio e participam activamente nas missões humanitárias da frota.

Uma escala desta natureza envolve, regra geral, coordenação portuária e logística com as autoridades locais, incluindo planeamento de atracação, segurança, controlo sanitário e abastecimentos. Mesmo quando a paragem é sobretudo técnica, este tipo de visita tende a criar oportunidades para contactos institucionais, troca de experiências com serviços de saúde locais e reforço de procedimentos de interoperabilidade em cenários de resposta a emergências.

Da partida em Quanzhou à rota internacional da missão Harmony-2025

O navio-hospital Tipo 920, também conhecido como Arca da Rota da Seda, largou em 2025 do porto de Quanzhou, na província de Fujian, integrado numa operação de assistência médica e diplomacia internacional. No itinerário, já efectuou escalas em Nauru, Fiji, Tonga, México, Nicarágua, Jamaica e Barbados, onde prestou milhares de consultas e realizou procedimentos médicos. Só na passagem pela Jamaica, foram registadas 7 536 consultas médicas, 715 cirurgias e 50 internamentos, números recorde numa única escala.

Reabastecimento, manutenção e continuação para Valparaíso

Conforme o planeamento, a escala no Uruguai permitirá ao navio-hospital executar tarefas de reabastecimento e manutenção antes de seguir viagem para Valparaíso (Chile), onde deverá concluir o percurso regional no âmbito da missão Harmony-2025. Este destacamento é apresentado como uma das operações humanitárias de maior alcance realizadas pela Marinha chinesa no continente americano.

Capacidades do Tipo 920: clínicas, blocos operatórios e evacuação por helicóptero

O “Ark Silk Road” é o segundo navio-hospital oceânico Tipo 920 construído para a Marinha chinesa. Com um deslocamento de 14 000 toneladas, dispõe de 14 departamentos clínicos, 7 unidades auxiliares de diagnóstico, 8 salas operatórias e capacidade para 300 camas, incluindo 20 de cuidados intensivos. O equipamento médico avançado permite realizar entre 40 e 60 cirurgias por dia, além de disponibilizar exames de imagiologia, hemodiálise e tratamentos de medicina tradicional chinesa. Na popa, conta com plataforma de voo e hangar para um helicóptero Z-8JH, utilizado em missões de evacuação e transporte sanitário.

Diplomacia médica e cooperação internacional na América Latina

A presença do “Ark Silk Road” em águas sul-americanas é mais um sinal do reforço do compromisso da China no domínio da diplomacia médica e da cooperação internacional. Através da missão Harmony-2025, a Marinha chinesa procura consolidar ligações estratégicas com a América Latina, promovendo assistência humanitária, intercâmbio científico e a projecção global das suas capacidades logísticas e médicas.

Para os países anfitriões, a visita de um navio-hospital com esta dimensão pode também funcionar como um exercício de coordenação para futuras contingências - desde catástrofes naturais a crises sanitárias - ao testar mecanismos de encaminhamento, triagem, evacuação e apoio clínico avançado em ambiente marítimo, complementando recursos nacionais quando necessário.

Créditos das imagens: Marinha do Exército Popular de Libertação da China.

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