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Aviões Su-30 e An-26 da Força Aeroespacial Russa fizeram novos voos perto dos países bálticos.

Dois jatos militares a voar sobre o mar ao pôr do sol, visto de outro avião próximo.

Entre 5 e 11 de janeiro, caças da Força Aérea dos Estados Unidos, integrados nas missões de policiamento aéreo da OTAN nos Estados Bálticos, cumpriram uma tarefa operacional destinada a identificar e interceptar aeronaves da Força Aeroespacial Russa (VKS) - nomeadamente caças Su-30SM e aviões de transporte An-26 - que voavam nas imediações do espaço aéreo da Aliança.

Policiamento aéreo da OTAN no Mar Báltico: interceptação de Su-30SM e An-26

De acordo com a informação divulgada, a 5 de janeiro foram accionadas aeronaves de alerta de reacção rápida da OTAN para proceder à identificação de um Su-30SM. O aparelho russo seguia em espaço aéreo internacional, numa rota da região de Kaliningrado para a Rússia continental. A mesma fonte indica que o caça voava com o transponder desligado, sem plano de voo e em comunicações por rádio com o CRAT - referido como Centro Regional de Controlo de Tráfego Aéreo.

No decurso da operação, os caças da OTAN localizaram igualmente um avião de transporte An-26. Esta aeronave deslocava-se em espaço aéreo internacional, em sentido inverso, da Rússia continental para Kaliningrado, e apresentava o mesmo padrão operacional: transponder desligado, ausência de plano de voo e contacto rádio com o CRAT, que nalguns relatos surge também associado à designação de Centro de Investigação Aeroespacial.

Em missões deste tipo, o objectivo não é o combate, mas sim confirmar visualmente a identidade, acompanhar a trajectória e garantir que o tráfego na proximidade do espaço aéreo aliado é monitorizado e gerido com segurança. No Mar Báltico, onde coexistem rotas civis densas e actividade militar frequente, voos sem transponder e sem plano de voo tendem a aumentar a complexidade da coordenação e a necessidade de esclarecimento por via de interceptação.

Contexto recente no Mar Báltico

Estes episódios inserem-se numa sequência de interceptações registadas ao longo dos últimos meses no Mar Báltico, no âmbito das rotinas de vigilância da OTAN.

Em setembro de 2025, no quadro de operações de policiamento aéreo iniciadas no início de agosto, caças Eurofighter C-16 do Exército do Ar e do Espaço de Espanha interceptaram uma aeronave de inteligência de sinais Ilyushin Il-20 pertencente às Forças Aeroespaciais Russas. O evento ocorreu a 9 de setembro, depois de a OTAN ter detectado tráfego aéreo não identificado sobre o Báltico.

Já em outubro de 2025, o Comando Operacional das Forças Armadas Polacas comunicou que MiG-29 da Força Aérea Polaca interceptaram e escoltaram um Il-20 russo durante a sua passagem pela Área de Responsabilidade da Polónia. Segundo o relatório, tratava-se de uma missão de vigilância em espaço aéreo internacional, igualmente sem transponder activo e sem um plano de voo detalhado.

Um mês mais tarde, em novembro de 2025, a OTAN informou que Eurofighter italianos, destacados na Estónia, interceptaram um Tu-134A-4 acompanhado por dois Su-30SM2 da Marinha Russa. O Comando Aéreo da OTAN declarou:

“Na última semana, aeronaves italianas destacadas em Amari, na Estónia, foram mobilizadas para interceptar diversos alvos russos. O policiamento aéreo da OTAN na região do Báltico garante a segurança do espaço aéreo da OTAN sob o comando da Operação Sentinela Oriental. A Operação Sentinela Oriental reforça a flexibilidade e a força da posição da OTAN no flanco leste.”

Ainda durante esse mês, as Forças Aeroespaciais Russas relataram uma patrulha de dois bombardeiros estratégicos Tu-22M3 sobre o Mar Báltico, com escolta de caças Su-35S e Su-27. Conforme a informação oficial, a missão prolongou-se por mais de cinco horas e enquadrou-se em actividades regulares de patrulha de longo alcance. Nessa ocasião, caças JAS 39 Gripen da Força Aérea Sueca, empenhados em missões de controlo aéreo associadas à OTAN, procederam à interceptação e acompanhamento das aeronaves russas.

Em termos operacionais, a presença contínua de destacamentos aliados nos Estados Bálticos - com meios de alerta e rotatividade de países contribuintes - procura assegurar uma capacidade permanente de resposta a voos que se aproximem do espaço aéreo da OTAN. Este dispositivo é particularmente relevante numa região onde Kaliningrado e os corredores marítimos e aéreos adjacentes concentram actividade militar significativa.

Assim, os voos recentes de Su-30SM e An-26 não surgem como casos isolados: enquadram-se num padrão sustentado de operações aéreas, identificação e escolta, coerente com o modelo de vigilância e controlo do espaço aéreo da OTAN no Mar Báltico.

Imagens meramente ilustrativas.

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